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Volume 1, N.º 17jul-dez 2025

Publicado em março 27, 2026

Articles

  1. A Política Externa Cazaque nos Governos Nazarbayev e Tokayev (1991-presente): Autonomia via Third Neighbour ou Balança de Poder?

    Servindo de passagem para fluxos energéticos por intermédio de gasodutos, oleodutos e rotas comerciais entre duas das principais potências do sistema mundial contemporâneo, China e Rússia, o Cazaquistão é um país que possui sua política externa estimulada pela influência de Moscou e Pequim no espaço pós-soviético. Entretanto, Astana busca, progressivamente, expandir seus laços político-diplomáticos para além deste eixo, através das suas reservas energéticas. Uma estratégia autônoma que combina comportamentos de balanceamento em seu exterior próximo. Não obstante, por mais que os governos cazaques tenham obtido sucesso em aumentar sua participação nas dinâmicas regionais e, em certa medida, na política global de maneira pragmática, o país ainda sustenta forte ligação com as tradicionais potências vizinhas. Em outras palavras, pode-se considerar que, caso o Cazaquistão não consiga manter o equilíbrio na balança de poder entre Rússia e China, sua tentativa de explorar relações paralelas ao foco sino-russo poderá não obter êxito. Nesse sentido, o presente estudo explora os elementos históricos da política externa cazaque durante os governos de Nursultan Nazarbayev e Kassym-Jomart Tokayev a partir do seu entorno estratégico e seus impactos na articulação de táticas contemporâneas. De forma semelhante, infere-se que, mesmo sendo uma nação que busca por autonomia no Sistema Internacional, a concorrência exterior ainda exerce significativa interferência nas diretrizes de seu comportamento externo

  2. A atualidade do conceito da guerra a partir de uma comparação entre Hobbes e Clausewitz

    Este artigo realiza uma revisão bibliográfica para comparar e investigar a relevância contemporânea das concepções de guerra de Thomas Hobbes e Carl von Clausewitz, dois importantes teóricos para pensar a guerra. Hobbes entendeu a guerra como uma condição inerente ao estado de natureza, caracterizada pelo medo e pela insegurança, sendo o Estado a única solução para evitar o conflito generalizado. Em contraposição, Clausewitz definiu a guerra como um duelo sangrento, que continua a política por outros meios, atribuindo-lhe um caráter estratégico e instrumental dentro das relações interestatais. Com o surgimento de novas formas de conflito, questiona-se a pertinência dessas concepções clássicas. O estudo demonstra que, apesar das mudanças no cenário bélico contemporâneo, ambas as abordagens permanecem relevantes, ainda que necessitem de adaptações para abranger as transformações tecnológicas e geopolíticas atuais. Dessa forma, o trabalho busca contribuir para o debate sobre a evolução do conceito de guerra ao adaptar as teorias clássicas às transformações tecnológicas e geopolíticas do século XXI, oferecendo novas perspectivas sobre os conflitos modernos.

  3. Por que “Apartheid”? “Israel” nos relatórios humanitários de Organizações da Sociedade Civil palestina

    Este artigo explora o uso do "enquadramento Apartheid" (Apartheid Framework, AFW) por ativistas e organizações da sociedade civil palestina para classificar e teorizar "Israel" como um regime de Apartheid. A partir de relatórios de Organizações da Sociedade Civil (OSC) palestinas, como Al-Haq, discutimos como o AFW transcende a denúncia do Apartheid ao fornecer uma análise que conecta violências física, estrutural e epistêmica no contexto de uma necrobiopolítica sionista. Em diálogo com teorias sobre poder e violência bem como com a discussão sobre redes transnacionais de ativismo, examino como OSCs palestinas usam o AFW como ferramenta de resistência e de produção de conhecimento para o engajamento internacional com a causa palestina. A compreensão do AFW, concebido por organizações da sociedade civil palestina como ferramenta de produção de conhecimento e de convencimento pró-Palestina, é fundamental para entender as práticas que sustentam o Apartheid israelense e como movimentos pró-Palestina atuam para promover solidariedade

  4. A INFLUÊNCIA DAS CULTURAS NAS NEGOCIAÇÕES INTERNACIONAIS

    A influência da cultura está presente nas negociações internacionais, com relevância da antropologia para navegar nas complexidades por trás disso. Uma vez que o mundo está cada vez mais globalizado, as negociações internacionais não podem ser adequadamente conduzidas sem a compreensão das nuances culturais que sustentam as práticas e expectativas dos negociadores. No entanto, a complexidade dessas negociações vai além das meras transações comerciais ou diplomáticas, ela é influenciada pela diversidade cultural dos envolvidos. A antropologia oferece uma lente valiosa para examinar as complexidades culturais que permeiam as negociações internacionais. Ao analisar as crenças, valores, normas e práticas sociais de diferentes grupos humanos, a antropologia revela como esses elementos moldam as abordagens e expectativas dos negociadores em contextos globais.Ao reconhecer e integrar uma abordagem antropológica nas negociações internacionais, os negociadores podem criar pontes sobre as divisões culturais, promovendo uma maior compreensão mútua e colaboração global. Este artigo busca destacar a importância de uma sensibilidade cultural profunda e da adaptação constante às diversidades culturais como componentes essenciais para o sucesso nas negociações internacionais em um mundo cada vez mais interconectado e multicultural.

  5. A Retórica da Ameaça: Entendendo a Securitização dos EUA do Programa Nuclear do Irã

    Este artigo analisa o processo de securitização do programa nuclear iraniano pela administração de George W. Bush (2001–2009), sob a ótica da Escola de Copenhague. Com base em uma análise crítica do discurso, investiga-se como os discursos presidenciais transformaram o Irã em uma ameaça existencial à ordem internacional. A retórica do “eixo do mal”, as referências a um possível “holocausto nuclear” e a constante menção de que “todas as opções estavam sobre a mesa” compuseram um quadro discursivo que mobilizou medidas excepcionais — como sanções e isolamento econômico — sem necessidade de ação militar direta. O estudo revela que, ao dramatizar o programa nuclear como ameaça global, os Estados Unidos (EUA) transitaram da politização à securitização, deslegitimando o Irã no cenário internacional e reforçando a centralidade de sua própria agenda de segurança. Conclui-se que a securitização promovida por Bush serviu como instrumento estratégico para moldar percepções, legitimar ações unilaterais e minar as possibilidades de resolução diplomática, demonstrando como a linguagem política atua na construção de ameaças no sistema internacional.

  6. Crise do capital,ascensão neofascista e as novas modalidades de guerra

    Historicamente, guerra, capital e Estado representaram uma relação simbiótica de codependência e mútuo reforço, determinando as formas de governamentalidade e relações produtivas responsáveis pela estruturaçãodo sistema capitalista moderno. O presente artigo analisa como, ao longo dos últimos anos, o crescente processo de pauperização das massas tem desembocado em crescentescrises de legitimidade, promovendo vácuos de poder aos quais reagem novas forças sociopolíticas, por meio da ascensão de grupos radicalizados de extrema direita. Fazendo-se uso da teoria da securitização, investiga-se como, para a manutenção das bases de acumulação do sistema e como forma de assentar seus projetos de poder, tais grupos operam segundo uma lógica dicotômica de divisão social, determinando segmentos específicos como responsáveis pela assumida decadência do coletivo. A eles, emprega-se uma lógica de guerras civis, diante de uma percepção construída de ameaça existencial, fazendo da mobilização da cólera proveniente das insatisfações populares um mecanismo de legitimação do angario de forças extraordinárias,permitindo processos tanto simbólicos quanto institucionais de cisão social e gradual deterioraçãodos mecanismos democráticos de salvaguarda

  7. ANDREWS, Kehinde. A nova era do império: como o racismo e o colonialismo ainda dominam o mundo

    A obra de Kehinde Andrews denuncia a supremacia branca, base do sistema político e econômico. Partindo epistemologicamente da Teoria Crítica da Raça, Andrews estabelece relações a partir de diferentes variáveis entrelaçadas pelo prisma racial, de forma a afirmar que o colonialismo e o imperialismo atualizaram-se e continuam dando o tom das dinâmicas socioeconômicas, políticas e culturais.