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Volume 1, N.º 18Edição Regular - Segundo Semestre 2026

Publicado em setembro 4, 2026

Articles

  1. Do Haiti ao Rio: O Emprego das Forças Armadas Brasileiras na Minustah e em Comunidades do Rio de Janeiro

    Este trabalho analisa a atuação das Forças Armadas brasileiras no comando militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), entre 2004 e 2017, e nas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) “O Rio quer segurança e paz” e da Intervenção Federal no Rio de Janeiro (2017–2018), realizadas sob a égide da Constituição Federal de 1988. O objetivo é comparar os diferentes tipos de atuação militar nos contextos internacional e doméstico, destacando o legado da experiência no Haiti para as ações conduzidas nas comunidades cariocas. Como fonte primária, serão utilizados os informes do Observatório Sul-Americano de Defesa e Forças Armadas, com os quais será possível construir uma cronologia dos fatos, com ênfase nas motivações, no treinamento, nas regras de engajamento e nos processos de início e encerramento das operações. A análise será complementada por uma revisão bibliográfica voltada à segurança internacional, com destaque para autores que discutem a militarização da segurança pública. Os resultados evidenciam as estratégias e os recursos empregados pelas Forças Armadas em ambas as frentes, bem como os efeitos da militarização no plano nacional e internacional. Além disso, o estudo ressalta o reconhecimento internacional obtido pelo Brasil em virtude de sua atuação nas missões.

  2. A GUERRA A SERVIÇO DO CAPITAL: UMA ATUALIZAÇÃO NA PERSPECTIVA DOS CONFLITOS NEOLIBERAIS

    Frente à atual expansão de políticas predatórias do neoliberalismo, advindas da financeirização do sistema internacional, interpretamos a guerra como um fenômeno histórico-social a serviço do capital. A chamada “guerra às drogas” na América Latina é um exemplo dessa perspectiva, uma vez que a implementação de seu aparato burocrático-repressivo nas políticas dos Estados condiciona territórios e populações marginalizadas a um estado de guerra permanente. Neste artigo, desenvolvemos os conceitos trazidos por obras clássicas de autores contemporâneos como Achille Mbembe, Grégoire Chamayou e Éric Alliez e Maurizio Lazzarato para refletir sobre as novas modalidades de conflito a partir do neoliberalismo e apresentamos os casos do Peru e do Rio de Janeiro (Brasil). Argumentamos que o poder do capital transnacional gera a desestabilização econômica e social de comunidades marginalizadas, como observado no caso do Peru, e a normalização do estado de emergência a partir da constante repressão militar e policial em periferias urbanas, a exemplo das favelas do Rio de Janeiro.

  3. A influência da visão clausewitziana na Política Nacional de Defesa e na Estratégia Nacional de Defesa do Brasil

    O presente artigo visa analisar a influência da perspectiva clausewitziana dos Estudos Estratégicos na formulação da Política Nacional de Defesa (PND) e da Estratégia Nacional de Defesa (END) do Brasil, a partir das versões mais recentes, publicadas em 2024. O principal objetivo é compreender se os conceitos clássicos desenvolvidos por Carl von Clausewitz que influenciaram no surgimento dos Estudos Estratégias estão presentes no pensamento político e estratégico do Estado brasileiro. Entre eles destaca-se a primazia da política, a trindade paradoxal, a noção de fricção e a relação entre meios e fins. A pesquisa apresenta uma  abordagem qualitativa, de caráter exploratório, baseada em análise documental dos textos oficiais da PND e da END, articulada com revisão bibliográfica de autores centrais dos Estudos Estratégicos. Os resultados iniciais evidenciam que a visão clausewitziana ainda exerce influência na estrutura das políticas brasileiras de defesa, entretanto identificam-se alguns limites referentes principalmente ao surgimento das novas ameaças e a instrumentos de cooperação internacional, como a diplomacia, a segurança cibernética e o combate ao crime transnacional. Por fim, destaca-se a importância de se estabelecer um diálogo entre as visões clássicas e as demandas da atualidade.

  4. FORTUNATO, M A Dialética da Guerra no Século Nuclear: Clausewitz e os Desafios da Aniquilação: CLAUSEWITZ E OS DESAFIOS DA ANIQUILAÇÃO

    Este artigo explora a relevância da teoria de Carl von Clausewitz no contexto da guerra nuclear contemporânea, analisando como os conceitos de fricção, acaso e dualidade da guerra se aplicam ao cenário estratégico do século XXI. A pesquisa é guiada por uma pergunta central: em que medida as teorias de Clausewitz, originalmente desenvolvidas para conflitos convencionais, ainda são aplicáveis na análise da guerra nuclear moderna, com um foco especial nas potências nucleares? A metodologia empregada baseia-se em uma revisão qualitativa abrangente da literatura, abrangendo tanto as obras clássicas de Clausewitz quanto estudos contemporâneos sobre estratégia nuclear e dissuasão. Entre as principais fontes, destacam-se as interpretações tradicionais de Clausewitz, como "Da Guerra" (1984), e trabalhos modernos que tratam da evolução da estratégia nuclear, como os estudos de Lawrence Freedman sobre dissuasão (2004) e a análise de Paul Bracken sobre a nova era nuclear (2013). Essas obras fornecem a base teórica para comparar as teorias de Clausewitz com os desafios estratégicos atuais, como a lógica da destruição mútua assegurada. Os resultados indicam que, apesar das transformações trazidas pelas armas nucleares, os conceitos fundamentais de Clausewitz permanecem relevantes para entender as dinâmicas da guerra nuclear. O conceito de "guerra real" versus "guerra absoluta" continua pertinente na análise das estratégias de dissuasão nuclear, demonstrando como a ameaça de destruição total molda o conflito e a política. Além disso, o estudo revela que a fricção e o acaso, elementos centrais na teoria de Clausewitz, desempenham um papel crucial na era nuclear, onde a incerteza e a rapidez das decisões podem ter consequências severas. Conclui-se que a estrutura teórica de Clausewitz continua a ser útil para a análise da guerra nuclear, oferecendo um quadro conceitual robusto para enfrentar as complexidades do cenário estratégico global contemporâneo.