Este artigo analisa o processo de securitização do programa nuclear iraniano pela administração de George W. Bush (2001–2009), sob a ótica da Escola de Copenhague. Com base em uma análise crítica do discurso, investiga-se como os discursos presidenciais transformaram o Irã em uma ameaça existencial à ordem internacional. A retórica do “eixo do mal”, as referências a um possível “holocausto nuclear” e a constante menção de que “todas as opções estavam sobre a mesa” compuseram um quadro discursivo que mobilizou medidas excepcionais — como sanções e isolamento econômico — sem necessidade de ação militar direta. O estudo revela que, ao dramatizar o programa nuclear como ameaça global, os Estados Unidos (EUA) transitaram da politização à securitização, deslegitimando o Irã no cenário internacional e reforçando a centralidade de sua própria agenda de segurança. Conclui-se que a securitização promovida por Bush serviu como instrumento estratégico para moldar percepções, legitimar ações unilaterais e minar as possibilidades de resolução diplomática, demonstrando como a linguagem política atua na construção de ameaças no sistema internacional.