Frente à atual expansão de políticas predatórias do neoliberalismo, advindas da financeirização do sistema internacional, interpretamos a guerra como um fenômeno histórico-social a serviço do capital. A chamada “guerra às drogas” na América Latina é um exemplo dessa perspectiva, uma vez que a implementação de seu aparato burocrático-repressivo nas políticas dos Estados condiciona territórios e populações marginalizadas a um estado de guerra permanente. Neste artigo, desenvolvemos os conceitos trazidos por obras clássicas de autores contemporâneos como Achille Mbembe, Grégoire Chamayou e Éric Alliez e Maurizio Lazzarato para refletir sobre as novas modalidades de conflito a partir do neoliberalismo e apresentamos os casos do Peru e do Rio de Janeiro (Brasil). Argumentamos que o poder do capital transnacional gera a desestabilização econômica e social de comunidades marginalizadas, como observado no caso do Peru, e a normalização do estado de emergência a partir da constante repressão militar e policial em periferias urbanas, a exemplo das favelas do Rio de Janeiro.