Este trabalho analisa a atuação das Forças Armadas brasileiras no comando militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), entre 2004 e 2017, e nas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) “O Rio quer segurança e paz” e da Intervenção Federal no Rio de Janeiro (2017–2018), realizadas sob a égide da Constituição Federal de 1988. O objetivo é comparar os diferentes tipos de atuação militar nos contextos internacional e doméstico, destacando o legado da experiência no Haiti para as ações conduzidas nas comunidades cariocas. Como fonte primária, serão utilizados os informes do Observatório Sul-Americano de Defesa e Forças Armadas, com os quais será possível construir uma cronologia dos fatos, com ênfase nas motivações, no treinamento, nas regras de engajamento e nos processos de início e encerramento das operações. A análise será complementada por uma revisão bibliográfica voltada à segurança internacional, com destaque para autores que discutem a militarização da segurança pública. Os resultados evidenciam as estratégias e os recursos empregados pelas Forças Armadas em ambas as frentes, bem como os efeitos da militarização no plano nacional e internacional. Além disso, o estudo ressalta o reconhecimento internacional obtido pelo Brasil em virtude de sua atuação nas missões.