Este artigo explora a relevância da teoria de Carl von Clausewitz no contexto da guerra nuclear contemporânea, analisando como os conceitos de fricção, acaso e dualidade da guerra se aplicam ao cenário estratégico do século XXI. A pesquisa é guiada por uma pergunta central: em que medida as teorias de Clausewitz, originalmente desenvolvidas para conflitos convencionais, ainda são aplicáveis na análise da guerra nuclear moderna, com um foco especial nas potências nucleares? A metodologia empregada baseia-se em uma revisão qualitativa abrangente da literatura, abrangendo tanto as obras clássicas de Clausewitz quanto estudos contemporâneos sobre estratégia nuclear e dissuasão. Entre as principais fontes, destacam-se as interpretações tradicionais de Clausewitz, como "Da Guerra" (1984), e trabalhos modernos que tratam da evolução da estratégia nuclear, como os estudos de Lawrence Freedman sobre dissuasão (2004) e a análise de Paul Bracken sobre a nova era nuclear (2013). Essas obras fornecem a base teórica para comparar as teorias de Clausewitz com os desafios estratégicos atuais, como a lógica da destruição mútua assegurada. Os resultados indicam que, apesar das transformações trazidas pelas armas nucleares, os conceitos fundamentais de Clausewitz permanecem relevantes para entender as dinâmicas da guerra nuclear. O conceito de "guerra real" versus "guerra absoluta" continua pertinente na análise das estratégias de dissuasão nuclear, demonstrando como a ameaça de destruição total molda o conflito e a política. Além disso, o estudo revela que a fricção e o acaso, elementos centrais na teoria de Clausewitz, desempenham um papel crucial na era nuclear, onde a incerteza e a rapidez das decisões podem ter consequências severas. Conclui-se que a estrutura teórica de Clausewitz continua a ser útil para a análise da guerra nuclear, oferecendo um quadro conceitual robusto para enfrentar as complexidades do cenário estratégico global contemporâneo.