Servindo de passagem para fluxos energéticos por intermédio de gasodutos, oleodutos e rotas comerciais entre duas das principais potências do sistema mundial contemporâneo, China e Rússia, o Cazaquistão é um país que possui sua política externa estimulada pela influência de Moscou e Pequim no espaço pós-soviético. Entretanto, Astana busca, progressivamente, expandir seus laços político-diplomáticos para além deste eixo, através das suas reservas energéticas. Uma estratégia autônoma que combina comportamentos de balanceamento em seu exterior próximo. Não obstante, por mais que os governos cazaques tenham obtido sucesso em aumentar sua participação nas dinâmicas regionais e, em certa medida, na política global de maneira pragmática, o país ainda sustenta forte ligação com as tradicionais potências vizinhas. Em outras palavras, pode-se considerar que, caso o Cazaquistão não consiga manter o equilíbrio na balança de poder entre Rússia e China, sua tentativa de explorar relações paralelas ao foco sino-russo poderá não obter êxito. Nesse sentido, o presente estudo explora os elementos históricos da política externa cazaque durante os governos de Nursultan Nazarbayev e Kassym-Jomart Tokayev a partir do seu entorno estratégico e seus impactos na articulação de táticas contemporâneas. De forma semelhante, infere-se que, mesmo sendo uma nação que busca por autonomia no Sistema Internacional, a concorrência exterior ainda exerce significativa interferência nas diretrizes de seu comportamento externo